quinta-feira, 21 de junho de 2007
Quando eu era criança
“(...) Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança, discorria como criança, mas, agora que sou homem deixei de lado as coisas de criança (...)”. (I Coríntios-13, 11). Tentei em várias ocasiões demonstra-te o que por ventura provavelmente já sabes, meu sentimento de outrora, o qual em minha imatura vivencia de criança resolvi esquecer entre os boletins e agendas, continuou latente em meu peito, a espera de encontra-te outra vez mais, de olhar em teus olhos e sentir a brisa dos novos horizontes. Não sei o que tens feito de nosso cultivo afetivo desde aquelas longas datas, se o deixou ao relento lutando sozinha para sobreviver, ou em um lugar de mansidão em teu ser o guardou e esperou reflorescer. Vejo-te hoje mulher, e sinto-me tão menino, um fruto infantil dos designos do amor, buscando palavras, ou melhor, caçando-as em minha mente, uma vez que dentro dela estão a voar, presas a mim por uma tênue linha de insegurança. Expresso-te em olhares meu sentir, minha busca de remissão pelas errôneas escolhas do passado. Clamo o teu sentir, o teu pensar, o teu agir. Busco a sintonia que em outros tempos nos uniu, pois estamos à caminha uma vez mais pelos mesmos caminhos, caminhos de flores e de espadas, caminhos de destreza e acanhamento, caminhos que levam de encontro nossos olhares, nossos lábios, nossos seres. Tua luz ofusca meus sentidos e todos esses transcritos pensamentos fogem ao encontro de lacunas escuras em minha mente, olho-te, esforço minha boca, porém, não há fluir entre o que sinto e o que te falo. Resgatar-te, mais uma vez, os sentidos de meu viver, mostrou-me o que há além de meu olhar restrito envolto na penumbra. És meu farol, estou a te procurar, sinaliza-me teu querer, para que eu possa traçar meu navegar rumo ao teu coração. “(...) Quando me vi tendo de viver comigo apenas e com o mundo, você me veio como um sonho bom (...)” (Legião Urbana – O Teatro dos Vampiros).
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